Callicebus personatus é uma espécie endêmica da Mata Atlântica, ocorrendo do Espírito Santo ao leste de Minas Gerais.

Observações realizadas nos últimos anos sugerem que esta espécie tem se tornado cada vez mais rara e de difícil observação. Suspeita-se que esta espécie vem sofrendo redução populacional, atingindo pelo menos 30%, calculado para três gerações (24 anos), em decorrência principalmente da perda e fragmentação de hábitat e da baixa tolerância a perturbações no ambiente. Considerando que o tamanho populacional não ultrapassa 10.000 indivíduos, com menos de 1000 indivíduos maduros em cada subpopulação e um declínio continuado suspeitado para o futuro de pelo menos 10% nas próximas três gerações, a espécie foi categorizada como Vulnerável (ICMBio, 2017).

O primata Callicebus personatus, conhecido popularmente como “sauá” ou “guigó” é endêmico do Brasil, com ocorrência restrita aos estados do Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro (VAN ROOSMALEN et al. 2002). Primatas de médio porte (27 - 45 cm), os Callicebus sp. chegam a pesar 1,5 kg e a maioria deles passa a maior parte do tempo descansando e se alimentando (KINZEY, 1981; KINZEY & BECKER, 1983; PRICE & PIEDADE, 2001a,b; SOUZA-ALVES, 2010). Vivem em grupos de 2 a 5 indivíduos, consistindo em um casal monogâmico e sua prole. O macho adulto participa do cuidado parental, principalmente com o transporte do filhote. Geralmente, o casal utiliza vocalizações de longo alcance para definir os limites territoriais e o espaçamento intergrupal (KINZEY, 1981; PRICE & PIEDADE, 2001a). De acordo com Costa et al. (2009), os guigós são furtivos, o que dificulta avistamentos e observações.

Os guigós habitam florestas primárias, secundárias, estratos baixos de matas de galeria ou borda de largas clareiras no interior da floresta (KINZEY, 1981). Quanto à área de vida, podem utilizar desde pequenos fragmentos com 5 ha até áreas maiores com 48 ha (KINZEY & BECKER, 1983; MÜLLER, 1996; NERI, 1997; PRICE & PIEDADE, 2001a,b; CASELLI, 2008; SOUZA-ALVES, 2010).
Pesquisas realizadas sobre comportamento alimentar do gênero Callicebus indicam que estes primatas se alimentam principalmente de frutos, consumindo também folhas (maduras e novas), sementes, flores, brotos, pecíolos, caules e artrópodes (KINZEY, 1981; HEIDUCK, 1997; PRICE & PIEDADE, 2001a; DELUYCKER, 2012). A procura de alimento demanda tempo e gasto energético, e o hábitat pode apresentar variações bióticas e abióticas constantes, fazendo com que os animais tomem decisões sobre como se comportar nele.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CASELLI, C.B. 2008. Ecologia alimentar, padrão de atividade e uso de espaço por Callicebus nigrifrons (Primates, Pitheciidae). Dissertação de Mestrado, Universidade Estadual de Campinas, Campinas.

COSTA M.D., BONILLO-FERNANDES F.A., GONÇALVES A.V. 2009. Densidade e tamanho populacional de sauás Callicebus nigrifrons em fragmento de mata atlântica em Pouso Alegre, MG. Anais do IX Congresso de Ecologia do Brasil, São Lourenço – MG, pp: 1-3.

ICMBio, 2017. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Avaliação do Risco de Extinção de Callicebus personatus (É. Geoffroy, 1812) no Brasil. Acesso realizado em 26 de Junho de 2017. http://www.icmbio.gov.br/portal/faunabrasileira/estado-de-conservacao/7315-mamiferos-callicebus-personatus-guigo

KINZEY, W.G. 1981. The titi monkey, genus Callicebus. In. Ecology and Behaviour of Neotropical Primates (Coimbra-Filho AF, Mittermeier RA, eds.), pp. 241-276. Rio de Janeiro, Academia Brasileira de Ciências.

KINZEY, W.G.; BECKER, M. 1983. Activity pattern of the masked titi monkey, Callicebus personatus. Primates 24: 337-343.

MULLER, K.H. 1996. Diet and feeding ecology of masked titis (Callicebus personatus). In Adaptative radiations of Neotropical primates (Norconk MA; Rosenberger AL, Garber PA, eds.), pp. 383- 401. New York, Plenum Press.

PRICE E.C.; PIEDADE, H.M. 2001a. Diet of Northern masked titi monkeys (Callicebus personatus). Folia Primatologica 72: 335-338.

PRICE E.C.; PIEDADE, H.M. 2001b. Ranging behavior and intraspecific relationships of masked titi monkeys (Callicebus personatus personatus). American Journal of Primatology 53: 87–92.

SOUZA-ALVES, J.P. 2010. Ecologia alimentar de um grupo de Guigó-de-Coimbra-Filho (Callicebus coimbrai Kobayashi & Langguth, 1999): perspectivas para a conservação da espécie na paisagem fragmentada do sul de Sergipe. Dissertação de Mestrado, Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão.

VAN ROOSMALEN, M.G.M.; VAN ROOSMALEN T.; MITTERMEIER, R.A. 2002. A taxonomic review of the titi monkeys, genus Callicebus Thomas, 1903, with the description of two new species, Callicebus bernhardi and Callicebus stephennashi, from Brazilian Amazonia. Neotropical Primates 10: 1- 52.

Fonte da imagem: http://www.icmbio.gov.br/portal/images/stories/biodiversidade/fauna-brasileira/avaliacao-do-risco/Callicebus_personatus_Cintia_Corsini_Fernandes__Banco_de_Imagens_CPB.JPG

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