Leopardus wiedii possui uma distribuição ampla no Brasil, com exceção do Ceará e sul do Rio Grande do Sul. Apesar disso, o tamanho populacional efetivo calculado é de cerca de 4.700 indivíduos no território brasileiro. Estima-se que nos próximos 15 anos (três gerações) deva ocorrer um declínio de pelo menos 10% desta população, principalmente pela perda e fragmentação de habitat relacionadas à expansão agrícola. Há conectividade com as populações dos países vizinhos, mas não existem informações sobre a dinâmica fonte-sumidouro. Portanto, a espécie foi categorizada como Vulnerável (VU) pelo critério C1.

O gato-maracajá é encontrado desde a zona costeira do México até o norte do Uruguai e Argentina e em todo o Brasil, com exceção do estado do Ceará e metade meridional do Estado do Rio Grande do Sul. No estado do Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Sergipe é encontrado apenas na Mata Atlântica costeira.

A espécie ocorre em todos os biomas do Brasil, mas é predominantemente associada a ambientes de floresta, desde formações densas contínuas a pequenos fragmentos em ecossistemas savânicos, de matas primitivas a degradadas. Na Caatinga, sua distribuição é restrita a áreas de transição vegetacional e cânions de mata densa.

Leopardus wiedii possui características que se assemelham à jaguatirica (L. pardalis), embora a espécie possua porte menor. O comprimento da cabeça e corpo varia entre 705 e 970 mm para machos e entre 425 a 780 mm para fêmeas. O comprimento da cauda, por sua vez, varia entre 305 e 445 mm e entre 330 a 470 mm para machos e fêmeas, respectivamente. A espécie se caracteriza por apresentar olhos bem grandes e protuberantes, focinho saliente, patas grandes e cauda bastante comprida. A massa corporal média é de 3,3kg (de 2,3 a 4,9kg). A coloração varia entre amareloacinzentado e castanho-amarelado, com tonalidades intermediárias. O padrão de manchas é variável, de pintas sólidas a bandas longitudinais. Leopardus wiedii é menor que L. geoffroyi, com pelagem mais macia, pelos mais compridos e cauda mais longa que a dos outros pequenos felinos. Em geral, indivíduos de L. wiedii são menores do que L. pardalis, mas machos grandes de L. wiedii podem ser tão grandes quanto fêmeas pequenas de jaguatiricas. Gatos-do-mato (L. tigrinus) são geralmente menores. É frequentemente confundido com L. tigrinus em avistamentos em vida livre e registros fotográficos provenientes de armadilhas fotográficas.

O período de gestação dura de 81 a 84 dias, após o qual nasce um único filhote. O tempo geracional não é conhecido, sendo os únicos dados disponíveis da Fundação Zoológica de São Paulo, onde os animais foram manejados após a reprodução aos três anos. Portanto, o tempo geracional foi considerado igual ao do congênere Leopardus tigrinus: cinco anos. Os hábitos são solitários e predominantemente noturnos. Possui grande habilidade arborícola, embora a locomoção seja tipicamente pelo chão. Na dieta predominam pequenos mamíferos (roedores e marsupiais), mas também inclui mamíferos de médio porte (> 1,5 kg), aves e lagartos. A biomassa média consumida está em torno de 220 g por dia. A área de vida de L. wiedii ainda é pouco conhecida, variando entre 1 e 20 km2 dependendo da disponibilidade de recursos da área. 

A espécie, apesar da ampla área de distribuição, é incomum na maioria das regiões, especialmente onde a jaguatirica (Leopardus pardalis) está presente. A perda e fragmentação de habitats naturais é, sem dúvida, a principal ameaça às populações de L. wiedii no Brasil. Apesar de ser mais característica de formações florestais, tanto primitivas quanto antropizadas, também é encontrada em formações abertas, quase sempre em proximidade com áreas de vegetação mais densa. Certamente a Mata Atlântica e a Amazônia são os biomas em que L. wiedii recebe maior pressão devido à perda e fragmentação de habitats. Mesmo assim, a espécie encontra na Amazônia condições para manter um grande número de indivíduos em populações viáveis.

O abate de animais para controle de predação de aves domésticas é outra ameaça importante, assim como atropelamentos também podem representar ameaças nas regiões sul e sudeste, da mesma forma com a transmissão de doenças por carnívoros domésticos. A caça foi uma das principais ameaças à espécie. Pesquisadores registraram o abate de três indivíduos de L. wiedii no período de sete meses, no município de Uruará, no Estado do Pará. Esta prática é comum entre criadores de aves domésticas nos estados do Sul e Sudeste e não há qualquer estimativa de perda de indivíduos por retaliação, prejudicando uma avaliação sobre os impactos desta ameaça.

Fonte: TORTATO, Marcos Adriano et al. Avaliação do risco de extinção do gato-maracajá Leopardus wiedii (Schinz, 1821) no Brasil. Biodiversidade Brasileira, n. 1, p. 76-83, 2013.

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