Ao mapear a distribuição de espécies de borboletas na Mata Atlântica, pesquisadores constataram que as regiões do bioma com maior diversidade são a Serra do Mar, a Serra da Mantiqueira, a Mata de Araucárias e algumas áreas específicas situadas no Espírito Santo, em Minas Gerais, na Bahia e em Pernambuco. De acordo com o estudo, portanto, esses seriam locais prioritários para políticas de conservação.

 

 

O mapeamento comprova que determinadas características da paisagem, como o percentual de cobertura florestal e a inclinação do relevo, são fatores tão importantes quanto o clima para explicar a atual distribuição das espécies de modo geral. Essa influência é bastante conhecida em estudos de microescala e para pequenos grupos de animais e vegetais, mas uma novidade em pesquisas que abrangem grandes áreas geográficas e espécies.

Ao mostrar em quais regiões do bioma o contexto paisagístico é mais relevante do que o climático, a pesquisa das universidades Estadual de Campinas (Unicamp), Estadual Paulista (Unesp) e Federal do Mato Grosso (UFMT) ressalta também o impacto da atividade humana e a importância dos remanescentes florestais para a manutenção da riqueza de espécies.

O estudo mostra que os padrões de distribuição encontrados para as borboletas são parecidos com os observados em outros grupos de organismos. Esse dado reforça a existência dos centros de endemismo, que são regiões com alta diversidade e maior número de espécies exclusivas, ou seja, que não ocorrem em outros locais. A existência desses hotspots constitui uma das hipóteses da ciência para explicar a grande diversidade do bioma.

Com o mapeamento, os pesquisadores quantificaram a contribuição da paisagem e do clima na distribuição de borboletas, confirmando que a perda do hábitat natural é a principal ameaça à diversidade de espécies. O mapa principal mostra os locais em que os fatores ligados à paisagem são mais preponderantes do que o clima na perda de espécies.

Os efeitos da modificação das paisagens, em especial, ainda careciam de estudos mais aprofundados nesse contexto. O mapeamento sugere que áreas com alta riqueza de espécies para ambos os modelos, como a Serra do Mar, deve ser vistas como foco central nas políticas de conservação. Aconselha também a importância da restauração do ambiente natural, especialmente nos locais em que o modelo registra um baixo nível de riqueza em relação à paisagem e alto em relação ao clima. Recomenda, ainda, a implementação de corredores ecológicos para regiões em que a floresta foi, em grande parte, derrubada, mas ainda existem pequenos fragmentos de mata, como a Bahia.

Os pesquisadores destacam no artigo a importância de áreas com alta riqueza de espécies considerando apenas a paisagem, que podem vir a ser importantes em um contexto de mudanças climáticas, caso da região da Araucária. Para os locais de valores altos e médios de riqueza, as estratégias de conservação são voltadas para a conservação da riqueza de borboletas. “Entretanto, nas regiões com menores valores, em vez de indicar ações mais intensas, nós mudamos o foco da prática. Em vez da conservação das borboletas [a riqueza é baixa para pensar em investir em conservação nestas áreas], o ponto focal passa a ser o bem-estar da sociedade, por meio da restauração dos serviços ecossistêmicos básicos”, explica Santos.

São serviços ligados à qualidade de vida das pessoas que habitam as regiões, como polinização, erosão e fertilização do solo, decomposição, controle do clima, regulação e abastecimento hídrico, emissão de gases etc.

Fonte: http://agencia.fapesp.br

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