Recuperação, restauração ou reconstituição florestal são termos comumente utilizados quando queremos tratar da transformação de uma área que já foi desmatada em uma área florestada.De acordo com a Society for Ecological Restoration International (SERI) restauração florestal é “a ciência, prática e arte de assistir e manejar a recuperação da integridade ecológica dos ecossistemas, incluindo um nível mínimo de biodiversidade e de variabilidade na estrutura e funcionamento dos processos ecológicos, considerando-se seus valores ecológicos, econômicos e sociais”. 

Antes de começar a recuperação florestal propriamente dita, precisamos saber em qual estágio de degradação está a área a ser recuperada. Para isso fazemos um levantamento para identificação e georreferenciamento de todas as árvores com DAP (diâmetro à altura do peito) maior que 5 cm presentes na área de interesse. As árvores são cadastradas em um banco de dados e tais dados são analisados e utilizados para a execução e acompanhamento da recuperação florestal.  Neste levantamento são identificadas as regiões com menor riqueza/diversidade e densidade de árvores, além de um refinamento da caracterização da vegetação. As áreas são ser delimitadas e georreferenciadas.

A condução da regeneração natural consiste em eliminar ou controlar o desenvolvimento de espécies vegetais indesejadas, ao mesmo tempo em que se favorece o desenvolvimento de espécies de interesse na restauração florestal. As espécies exóticas invasoras herbáceas e arbustivas são controladas conforme melhor técnica disponível. Podendo ser, por exemplo, controle por arranquio manual com auxílio de ancinho sempre que necessário, nunca em período reprodutivo das espécies invasoras. Dessa forma é assegurado que sejam causadas mínimas injúrias às espécies nativas, evitando seu desenraizamento.

Para evitar os processos erosivos causados pela remoção das espécies exóticas e auxiliar na recuperação da comunidade vegetal, as áreas de solo exposto são ser recobertas com serapilheira oriunda de fragmentos florestais próximos. Atentamos para não desproteger o solo na área fornecedora de serapilheira, evitando processos erosivos. Os indivíduos de espécies exóticas invasoras de porte arbóreo são identificados e georreferenciados por profissional habilitado e controlados através do corte com machado ou motosserra, devidamente licenciada.

As espécies nativas regenerantes são coroadas (50 a 100 cm) e passam por adubação de cobertura para propiciar melhor desenvolvimento dos indivíduos arbóreos e cobertura da área em menor tempo.

Para intensificar os efeitos da chuva de sementes que ocorre naturalmente de fragmentos florestais “vizinhos” fazemos a transposição de chuva de sementes, que consiste em coletar a chuva de sementes de fragmento florestal preservado em local próximo para dispersão dessas sementes na área a ser recuperada

Após o estudo de levantamento inicial, indicamos os locais e as espécies que são mais indicadas para a transposição de sementes, conforme identificação das áreas com menor riqueza e diversidade. A coleta de sementes ocorre em mais de um fragmento com vistas a buscar maior variabilidade genética, ressalvado o cuidado para não desprover de sementes os fragmentos preservados. Instalamos coletores de sementes nos fragmentos florestais do entorno, em pontos a serem identificados. Ao final de um período, o material é ser recolhido para semeadura na área de compensação. Os coletores de sementes são estruturas de madeira, metal ou PVC, de formato circular ou quadrado, com pés, onde são fixados tecidos para receber o depósito de sementes. As sementes coletadas são triadas e passam por processamento antes da semeadura. As sementes são dispersadas em núcleos previamente definidos na área de interesse. Indicamos as espécies selecionadas, a quantidade de sementes que deverá ser obtida por espécie, os tratamentos e procedimentos necessários para se proceder com a semeadura.

O adensamento representa a ocupação dos espaços vazios (não cobertos pela regeneração natural) por mudas de espécies iniciais da sucessão (pioneiras e secundárias iniciais). Esse procedimento é recomendado para suprir eventuais falhas da regeneração natural ou para o plantio em áreas de borda de fragmentos e grandes clareiras em estádio inicial de sucessão, visando controlar a expansão de espécies invasoras e nativas em desequilíbrio e favorecer o desenvolvimento das espécies finais por meio do sombreamento.

Realizamos o plantio de adensamento com o plantio de diversas espécies pioneiras e intermediárias, com espaçamento pré-definido entre mudas. O plantio é realizado em locais com maior concentração de espécies exóticas invasoras, de modo a favorecer o rápido recobrimento do solo e dificultar a dispersão dessas invasoras.

Caso pertinente, pode ser usado o sistema de nucleação, definindo-se quantos núcleos serão formados, a distância entre eles, quantas e quais espécies, quantos indivíduos de cada espécie em cada núcleo e de quais espécies.

O enriquecimento é um método usado nas áreas ocupadas com vegetação nativa, mas que apresentam baixa diversidade florística, ou após a realização do plantio de adensamento. O enriquecimento representa a introdução de espécies dos estádios finais de sucessão, especialmente as espécies de maior interação com a fauna e/ou das diversas formas vegetais originais de cada formação florestal, tal como lianas, herbáceas e arbustos, podendo também contemplar o resgate da diversidade genética, o que pode ser realizado pela introdução de indivíduos de espécies já presentes na área, mas produzidos a partir de sementes provenientes de outros fragmentos de mesmo tipo florestal.

Executamos o plantio de adensamento com o plantio de diversidade de espécies clímax produzidas em viveiro de mudas, com espaçamento pré-definido entre mudas. Caso pertinente, pode ser usado o sistema de nucleação, definindo-se quantos núcleos serão formados, a distância entre eles, quantos indivíduos em cada núcleo e de quais espécies.

As mudas a serem plantadas seguem especificações que variam de acordo com a necessidade da área: altura mínima; condições para plantio; distância entre o viveiro e a área de plantio; boa formação; torrão intacto, sólido, coeso e úmido, protegido por invólucro adequado; isenta de pragas, doenças, cloroses, folhas secas, raízes aparentes, deficiências nutricionais.

 

Os locais de plantio são definidos previamente pelos profissionais responsáveis pela execução do projeto, tomando como base as informações de localização e identificação das espécies já presentes na área, formando-se núcleos de adensamento e diversidade utilizando as proporções definidas de espécies pioneiras e não pioneiras, caso conveniente.

 

Caso verificada a necessidade de adequação do solo, para o preparo são misturados componentes para correção dos parâmetros do solo: calcário dolomítico; adubo químico NPK; adubo orgânico; hidrogel para plantio. Após a abertura do berço e antes do plantio, é preenchido 1/3 do espaço com a terra preparada com os itens acima, acrescentando 20 litros de água, misturando com a terra do fundo do berço até se obter uma lama. 

 

No ato do plantio, as mudas são colocadas nos berços com o devido cuidado, evitando que o torrão seja desmanchado. Especial atenção é dada ao correto posicionamento da muda no berço, bem como o nível em que esta ficará em relação ao solo (a terra ao redor da muda plantada deverá ficar no mesmo nível em que estava na embalagem).

 

Colocar o torrão e, com movimentos circulares, fazer com que a lama preencha todos os espaços vazios para facilitar a aglutinação da terra e o desenvolvimento das raízes. Completar o berço com a terra preparada. Após o plantio, é feita a irrigação das mudas.

 

O período de manutenção tem início no mês subsequente ao plantio das mudas. Nos primeiros meses após o plantio das mudas, a manutenção deverá ser mais frequente (semanal, quinzenal ou mensal), passando a trimestrais no primeiro ano e semestrais nos demais.

 

Durante a fase de manutenção, há previsão de substituição um percentual de mudas que não se adaptarem e morrerem, controle de ataque de formigas cortadeiras e seus ninhos e correção de deficiências nutricionais das plantas através da adubação de cobertura.

 

Cada etapa do processo de restauração florestal é monitorada de modo a permitir avaliar, continuamente, se as ações realizadas estão apresentando os resultados esperados. A avaliação ocorrerá através da análise de indicadores que permitam constatar a ocupação gradual e crescente da área por diversas espécies nativas, considerando a alteração da fisionomia vegetal e da diversidade local. 

 

Para a execução do monitoramento são realizadas as seguintes atividades:

1. Identificação, marcação e monitoramento das árvores adultas presentes na área e das novas mudas plantadas;

2. Monitoramento da ocorrência de indivíduos regenerantes das espécies arbustivo-arbóreas e ocorrência de novos táxons, através da instalação de parcelas distribuídas aleatoriamente na área de compensação;

3. Monitoramento do desenvolvimento das mudas plantadas para o adensamento e enriquecimento através de parcelas;

4. Acompanhamento da área de ocupação das espécies exóticas e invasoras na área de compensação;

5. Monitoramento da taxa de mortalidade das espécies utilizadas no plantio.

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