O ICMBio coordena uma estratégia para a conservação de Eriocaulaceae, uma das famílias de plantas com grande número de espécies ameaçadas: o Plano de Ação Nacional para Conservação de Eriocaulaceae – PAN Sempre-vivas.

Muitas espécies de Eriocaulaceae são conhecidas popularmente como “sempre vivas”, porque suas inflorescências mantêm a mesma aparência que tinham antes de serem destacadas das plantas.

Sob a denominação de “sempre-vivas” podem também ser encontradas espécies de outras famílias de plantas (Xyridaceae, Cyperaceae, Rapataceae e Compositae). No entanto, o nome tem sido aplicado popularmente à maioria das espécies de Eriocaulaceae, que são as sempre vivas mais coletadas, comercializadas e utilizadas no artesanato e na ornamentação. 

 

As Eriocaulaceae são facilmente reconhecidas por serem ervas que possuem, na base, uma roseta de folhas (também chamada de “sapata”) geralmente dispostas em espiral. Dessa roseta, partem os escapos, ou hastes, que portam, em seu ápice, as inflorescências. Às vezes, esses escapos surgem de um caule alongado, que se desenvolve no centro da roseta; outras vezes, de ramos laterais a ela.

As inflorescências constituem a característica mais marcante da família: são capítulos, às vezes esféricos, às vezes achatados, o que geralmente confere os nomes populares às espécies: “botão-bolinha”, botão-branco”, “margarida” e “mini-saia”. Em outros casos, são as hastes que possuem características usadas no nome popular: o “capim-dourado” e a “sempre-viva-pé-de-ouro” são dois exemplos, entre vários outros. As flores são muito reduzidas, atingindo somente um ou dois milímetros de comprimento, havendo de algumas dezenas a centenas delas por inflorescência, sendo polinizadas principalmente por insetos. As sementes, por sua vez, são menores ainda e são produzidas, em média, duas ou três por fruto.

Entre as ameaças às espécies de Eriocaulaceae, a perda e a destruição de hábitat figuram entre as principais. Queimadas frequentes, atividades de garimpo e mineração, expansão das fronteiras agropecuárias e extrativismo indiscriminado são eventos que afetam diretamente a conservação das sempre-vivas, principalmente daquelas que ocorrem em áreas muito restritas. Algumas espécies, inclusive, são consideradas extintas, entre elas: Eriocaulon melanolepis Silveira, Leiothrix linearis Silveira, Paepalanthus lepidus Silveira e Paepalanthus perbracchiatus Silveira.

A expansão agropecuária, quase sempre associada ao uso do fogo e ao pisoteio do gado, tem contribuído para a substituição de áreas de ocorrência natural de muitas espécies de sempre-vivas por monoculturas, especialmente a do eucalipto, em crescente expansão em Minas Gerais.

Outro problema muito frequente refere-se à atividade de empresas mineradoras e, principalmente, ao garimpo que, além de impactar o ambiente como um todo, promove a retirada das camadas superficiais do solo, sobre as quais se encontram muitas espécies vegetais, entre elas as sempre-vivas.

Uma séria ameaça às Eriocaulaceae é o extrativismo indiscriminado, principalmente aquele praticado com a coleta prematura das inflorescências, antes da produção ou da completa maturação das sementes.

Assim também, o arrancamento de muitas plantas inteiras no momento da coleta dos escapos e o uso frequente do fogo como estimulador da floração são fatores que contribuem para a redução das populações dessas espécies em seus locais de ocorrência.

É importante destacar que existem várias comunidades humanas que dependem do extrativismo de sempre-vivas para sua sobrevivência. Portanto, a busca de alternativas sustentáveis para essas comunidades, mais que um desafio, é uma necessidade.

 

Fonte: ICMBio - Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. 2011. Sumário Executivo do Plano de Ação Nacional para a Conservação das Sempre-Vivas. Brasília, Distrito Federal. Disponível em: http://www.icmbio.gov.br/portal/images/stories/docs-plano-de-acao/pan-sempre-vivas/sempre_vivas.pdf

 

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